A palestra festejou a abertura da exposição “Quando Vidas se Tornam Forma: Diálogo com o Futuro - Brasil-Japão“, que fica em cartaz até o dia 22 de junho, no MAM - Parque Ibirapuera.
A repercussão da palestra você confere em posts ótimos no blog do Sylvain e da Maria Prata. A editora de moda da Vogue, teve a oportunidade de almoçar com Fujiwara e explica de uma forma precisa o que é a A-POC - “A Piece of. Cloth“, a grosso modo -uma ideologia de costura criada por Miyake.
Videozinho de apresentação da grife em cartaz na exposição do MAM
A UOL também publicou uma matéria bem direta, destacando os polêmicos e pertinentes comentário de Jum Nakao que mediou a palestra.
Pela distância que separa esse post do evento prefiro deixar os comentários da palestra para os colegas de internet e reservar esse momento para explicar a importância de Issey Miyake para moda e porque Fujiwara é um ótimo sucessor para a grife.
Issey Miyake completa 70 anos esse ano. Ele nasceu em Hiroshima (isso mesmo, a cidade onde caiu a bomba em 6 de agosto de 1945). Ainda bem, salvou-se da tragédia e pôde construir um legado e tanto para a moda mundial. Ele se formou em design em Tóquio e em seguida foi a Paris estudar costura. Estabeleceu sua marca em 1970 em Tóquio, e em 71 apresentou a primeira coleção de sua grife em Nova Iorque. E em 1973 migrou para a semana de moda parisiense. Atualmente continua nas passarelas francesas.
Apesar de começar sua carreira nos ano 1970, foi no anos 80 que a projeção foi maior. Miyake foi uma das pontas da tríade oriental que correu contra a corrente dos exageros e a sensualidade explícita da década. Os outros nomes fortes eram Rei Kawakubo da Comme des Garçons e Yohji Yamamoto.
Uma das principais diferenças entre a moda ocidental e oriental, segundo a pesquisadora Charlotte Seeling em seu livro: “Moda: o século dos estilistas - 1900-1999“, é o corte. O ocidental parte do corpo e o japonês parte do tecido” .
Pensar nas possibilidades do tecido no corpo e não do corpo no tecido causou frisson no mundo da moda nos anos 70, quando o culto à vaidade já era parte integrante da sociedade. Foi certamente uma revolução.
Partindo da máxima “o estilo parte da vida”, Miyake não deixou sua moda ficar somente no espetáculo da passarela e propôs peças práticas para o dia-a-dia. Sendo assim, nessa via de mão dupla vida-moda, Miyake sempre apostou em pesquisa de tecidos e desdobrou suas possibilidades. Seja em dobraduras, cortes, aplicações, beneficiamento e etc.
Ele conseguiu implantar a moda com algo a dizer e integrada com a sociedade e de olho abertíssimo para as novas tecnologias. Sempre propondo o novo, é portanto, uma marca sempre esperada pela crítica nas temporadas inernacionais.
O passo a passo da A-POC. Revista WiredEssa reportagem da revista Wired, publicada há 5 anos atrás, contextualiza bem a relação de Miyake com a tecnologia.
Miyake se aposentou em 1997, deixando o comando para seu assistente Naoki Takizawa. Dai Fujiwara assumiu a direção criativa em janeiro de 2007. Seu debut foi na coleção outono/inveno 2007/2008 em fevereiro de 2007 em Paris.

Naoki Takizawa Fashion Windows
Fujiwara está na Maison desde 1994. Entrou como diretor do projeto A-Poc. Ele é engenheiro têxtil e vem dando continuidade as idéias de Miyake.
Na palestra ele mostrou um vídeo sobre a pesquisa de cores feita in-loco na Amazônia. Uma das práticas dessa pesquisa consistia em montar varais com pedaços de tecidos e mergulhar nos rios da região.
Bastante preocupado com as questões mundiais, ele sempre leva à passarela questões tocantes a realidade socio-ambiental, como o aquecimento global.
Destaco o vestido de noiva criado para o projeto “It´s a beaultiful day - a wedding of today, tomorrow and design”, que já pincelei por aqui.
O vestido se torna um hexágono quando dobrado.




Sem mais delongas, acho que essas imagens explicam bem a importância de Issey Miyake e Dai Fujiwara na moda mundial, né?
Ah! Se você nunca tinha ouvido falar de Issey Miyake, talvez com esse vidro de perfume tudo fique mais familiar. L`Eau de Issey é um grande sucesso nos free shoppings do mundo.










2 comentários:
Laurita, mas que aula é esse post! Eu amei! Aliás, espero que você não tenha abolido aquele plano de ser professora...!
Saudades!
Um beijão!
Rebeca
Belíssimo e agradável texto. Sucesso e bjinhos.
Nauê.
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